IATA-DGR: baterias de lítio UN3480 e UN3481

Dangerous Goods

IATA-DGR: baterias de lítio UN3480 e UN3481

Embalagem, marcação, estado de carga e documentação. O checklist que evita a recusa do embarque no armazém do aeroporto.

Publicado em 2026-05-0911 min de leitura
IATA-DGR: baterias de lítio UN3480 e UN3481

Por que baterias de lítio concentram recusas

Baterias de lítio estão entre as causas mais frequentes de recusa de carga no armazém do aeroporto. A combinação de risco térmico, regras específicas e alta rotatividade de fornecedores cria um cenário em que pequenas divergências documentais inviabilizam o embarque no último elo da cadeia.

As regras aplicáveis vêm das Instruções Técnicas da OACI e do Manual IATA de Regulamentação para Artigos Perigosos (IATA-DGR), revisado anualmente. Trabalhar com edição desatualizada é uma das falhas mais comuns.

UN3480 e UN3481: o enquadramento define tudo

UN3480: baterias de íon-lítio transportadas isoladamente, sem equipamento. Regime mais restritivo, com limitações de estado de carga e, em regra, proibição em aeronaves de passageiros.

UN3481: baterias contidas em equipamento (contained in equipment) ou embaladas com o equipamento (packed with equipment). Requisitos distintos de embalagem, marcação e quantidade por volume.

Existem ainda os números correspondentes a baterias de lítio metálico (UN3090 e UN3091), com critérios próprios de conteúdo de lítio. O enquadramento correto determina embalagem, marcação, documentação e possibilidade de aceitação pela companhia aérea.

Estado de carga e o limite de 30%

Para células e baterias de íon-lítio expedidas isoladamente, aplica-se o limite de estado de carga (SoC) de 30% da capacidade nominal. É um ponto de verificação objetivo e frequentemente ignorado pelo fornecedor, que envia o lote carregado de fábrica.

Conferir SoC na origem, com registro, evita a situação clássica: carga aceita pelo agente, recusada na triagem do armazém e devolvida para reembalagem, com perda do voo reservado e nova emissão documental.

Checklist que evita a recusa

Ficha de dados de segurança (FDS/SDS) atualizada e coerente com o produto embarcado.

Relatório de ensaio conforme o Manual de Provas e Critérios da ONU, seção 38.3, disponível para apresentação.

Embalagem com teste de queda válido e material de acomodação que impeça curto-circuito entre terminais.

Marca de manuseio de bateria de lítio aplicada nas faces corretas, legível e não coberta por fita.

Shipper's Declaration for Dangerous Goods coerente com invoice e packing list, quando exigida pelo enquadramento.

Pessoal com treinamento válido baseado em competências, tanto na origem quanto no despacho.

O que fazer em fluxos recorrentes

Em operações repetitivas, padronizar um kit de embalagem homologado com o fornecedor reduz drasticamente a variabilidade. O kit inclui caixa testada, separador interno, marcação pré-impressa e instrução ilustrada de montagem.

Combinado a uma inspeção fotográfica na origem — carga, marcação e documento no mesmo enquadramento — o kit transforma um processo dependente de pessoas em um processo dependente de procedimento. O investimento inicial se paga na primeira recusa evitada.

Aéreo x marítimo para baterias

Quando o cronograma permite, o modal marítimo com enquadramento IMDG costuma reduzir custo e restrição para volumes maiores. A decisão exige avaliar prazo, exigência de segregação a bordo e disponibilidade de espaço para carga perigosa na rota escolhida — pontos que precisam ser confirmados antes de fechar a compra, não depois.

Insights de Comércio Exterior | Blog Aleph Log

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